Construção (auto)biográfica e formação de educadores: um olhar desde uma perspectiva transpessoal

Elydio dos Santos Neto

Resumo

Resumo

Este trabalho é um esforço teórico que pergunta sobre a importância, a necessidade e a propriedade da construção de narrativas (auto)biográficas, na formação de educadores, quando se assume um ponto de vista transpessoal. Num primeiro momento, apresento o que estou chamando de concepção transpessoal do ser humano. Mostro as referências teóricas que assumi – desde a perspectiva da psicologia transpessoal de Stanislav Grof, da antropolítica de Edgar Morin e da concepção de educação de Paulo Freire – para explicitar um olhar transpessoal sobre o processo educativo escolar. Passo, então, a evidenciar como compreendo a construção de (auto)biografias na formação dos educadores, partindo das elaborações principalmente de Franco Ferrarotti, Antonio Nóvoa, Marie-Christine Josso e do meu trabalho prático com tais abordagens em cursos de graduação e pós-graduação. A partir daí, explicito como percebo as contribuições da construção (auto)biográfica na formação de educadores, desde uma perspectiva transpessoal, afirmando que esta perspectiva compreende e assimila o trabalho com as (auto)biografias, ainda que a recíproca não seja verdadeira. Concluo mostrando como a aproximação entre o trabalho (auto)biográfico e a abordagem transpessoal pode ser importante na constituição de sujeitos/educadores capazes de trabalhar em prol da educação de sujeitos/educandos com capacidade de autonomia, autoria e inteireza.

Palavras-chave: (Auto)biografia; Transpessoal; Formação de educadores.

 

(Auto)Biographical construction and educator formation: a view from a transpersonal perspective 

Abstract

The present text systemize the results of a developed prosopographic study next to discipline Practical of Research – Researching the Pertaining to School Culture, under the orientation of teacher and doctor Maria Helena Câmara Bastos, Ph.D., from the College of Education of the PUCRS. The prosopographic studies are recurrent in the familiar cluster analysis of different sectors, such as politics, economy and medicine, but they are not common in teaching, subject matter of this research – a study of a teaching case in the Guadagnim family. Eleven of Luiz and Elisa Guadagnim’s seventeen children opted to pursue a teaching career, followed by 26 grandchildren and some more great-grandchildren. A survey was conducted in this corpus in order to find the common basic characteristics of this group. The resources used were photos, school records and verbal stories of their descendants. The conclusions show that that this family group’s history of professional life is linked with the very history of education, more specifically with that of the Italian immigration culture, revealing the school practices common to determined periods. Besides, social prestige associated with the profession also appears as one of the results of the choice of profession by Luiz Guadagnim’s descendants.

Key words: (Auto)biography; Transpersonal; Educator formation.

Palavras-chave

(Auto)biografia; Transpessoal; Formação de educadores.

Texto completo:

PDF

Referências

ALTHUSSER, L. Aparelhos ideológicos de Estado: nota sobre os aparelhos ideológicos de Estado. 3. ed.

Rio de Janeiro: Graal, 1985.

APPLE, M. Ideologia e currículo. São Paulo: Brasiliense, 1982.

______. Conhecimento oficial: a educação democrática numa era conservadora. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.BAUDELOT, C.; ESTABLET, R. La escuela capitalista. México: Sigilo Veintiuno, 1977.

BORDIEU, P.; PASSERON, J-C. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. Rio

de Janeiro: Francisco Alves, 1975.

CAPRA, F. O ponto de mutação: a ciência, a sociedade e a cultura emergente. São Paulo: Cultrix, 1992.

CARDOSO, C. M. A canção da inteireza: uma visão holística da educação. São Paulo: Summus, 1995.

D’AMBROSIO, V. Educação para uma sociedade em transição. Campinas: Papirus, 1999.

ESPIRÍTO SANTO, R. C. Pedagogia da transgressão: um caminho para o autoconhecimento. Campinas:

Papirus, 1996.

FERRAROTTI, F. Sobre a autonomia do método biográfico. In: NÓVOA, A.; FINGER, M. (Org.).

O método (auto)biográfico e a formação. Lisboa: Ministério da Saúde, 1988. p. 17-33.

FINGER, M. As implicações sócio-epistemológicas do método biográfico. In: NÓVOA, A.; FINGER,

M. (Org.). O método (auto)biográfico e a formação. Lisboa: Ministério da Saúde, 1988. p. 79-85.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1970.

______. Educação como prática da liberdade. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

______. Pedagogia da esperança: um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e

Terra, 1992.

______. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 27. ed. Rio de Janeiro: Paz e

Terra, 1996.

______. A educação na cidade. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1995.

______. À sombra desta mangueira. 3. ed. São Paulo: Olho d’Água, 2000a.

______. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Edi.Unesp, 2000b.

______. Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: Ed. Unesp, 2001.

GENTILI, P.; SILVA, T. T. (Org.). Neoliberalismo, qualidade total e educação: visões críticas. 5. ed. Petrópolis:

Vozes, 1997.

GROF, S. Além do cérebro: nascimento, morte e transcendência em psicoterapia. São Paulo: McGrawHill,

______. A mente holotrópica: novos conhecimentos sobre psicologia e pesquisa da consciência. Rio de

Janeiro: Rocco,1994.______. A aventura da autodescoberta. São Paulo: Summus, 1997.

GROF, S.; GROF, C. (Org.). Emergência espiritual: crise e transformação espiritual. São Paulo: Cultrix, 1992.

______. A tempestuosa busca do ser: um guia para o crescimento pessoal através da crise de transformação.

São Paulo: Cultrix, 1994.

GUERREIRO, L. A educação e o sagrado: a ação terapêutica do educador. Rio de Janeiro: Lucerna, 2003.

ILLICH, I. Sociedade sem escolas. Petrópolis: Vozes, 1973.

JOSSO, C. Da formação do sujeito... ao sujeito da formação. In: NÓVOA, A.; FINGER, M. (Org.). O

método (auto)biográfico e a formação. Lisboa: Ministério da Saúde, 1988. p. 35-49.

KRAMER, S. Por entre as pedras: arma e sonho na escola. São Paulo: Ática, 1993.

LA TAILLE, Y.; OLIVEIRA, M. K.; DANTAS, H. Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em

discussão. São Paulo: Summus, 1992.

LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo:

Loyola, 1985.

______. As teorias pedagógicas modernas revisitadas pelo debate contemporâneo na Educação. In:

LIBÂNEO, J. C.; SANTOS, A. (Org.). Educação na era do conhecimento em rede e transdisciplinaridade. Campinas:

Alínea, 2005. p. 19-62

MACEDO, L. Ensaios construtivistas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1994.

MORAES, M. C. O paradigma educacional emergente. Campinas: Papirus, 1997.

MORIN, E. Introdução ao pensamento complexo. 2. ed. Lisboa: Instituto Piaget, 1995.

______. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000 (a).

______. A cabeça bem-feita. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000 (b).

______. O método 5 – A humanidade da humanidade: a identidade humana. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 2003.

NÓVOA, A. A formação tem que passar por aqui: as histórias de vida no Projeto Prosalus. In: NÓ-

VOA, A.; FINGER, M. (Org.). O método (auto)biográfico e a formação. Lisboa: Ministério da Saúde, 1988.

p. 107-129.

NÓVOA, A. (Org.). Vidas de professores. 2. ed. [s.l.]: Porto Ed., 1995.

NÓVOA, A.; FINGER, M. (Org.). O método (auto)biográfico e a formação. Lisboa: Ministério da Saúde, 1988OLIVEIRA, Z. M. et al. Creches: crianças, faz de conta & cia. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1994.

PATTO, M. H. S. A produção do fracasso escolar: histórias de submissão e rebeldia. São Paulo: Casa do

Psicólogo, 1999.

PENIN, S. O cotidiano e a escola: a obra em construção. São Paulo: Cortez; Autores Associados, 1989.

RODRIGUES, N. Por uma nova escola: o transitório e o permanente na educação. São Paulo: Cortez;

Autores Associados, 1985.

ROMÃO, J. E. Dialética da diferença: o projeto da Escola Cidadã frente ao projeto pedagógico neoliberal.

Tese (Doutorado em Educação)–Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.

SANTOS NETO, E. Educação transpessoal: a dinâmica de pessoal e do transpessoal na ação pedagógica e

na formação de professores a partir do pensamento de Stanislav Grof. São Paulo: PUC/SP, 1998 (Tese

de Doutorado).

______. Vidas de educadores: contexto de sua nova emergência, relato de uma aproximação e fundamentos

para seu uso na formação de professores e na investigação. In: Educação & Linguagem, ano 4, n. 4 (Edição

Especial), São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, p. 19-44, jan./dez. 2001.

______. Educação e complexidade: pensando com Dom Bosco e Edgar Morin. São Paulo: Salesiana, 2002.

______. Por uma Educação Transpessoal: a ação pedagógica e o pensamento de Stanislav Grof. Rio de

Janeiro Lucerna; São Bernardo do Campo: Metodista, 2006.

SAVIANI, D. Escola e democracia. 21. ed. São Paulo: Cortez; Autores Associados, 1989.

SEVERINO, A. J. Educação, ideologia e contra-ideologia. São Paulo: EPU, 1986.

SILVA, J. M. A autonomia da escola pública: a re-humanização da escola. Campinas: Papirus, 1996.

SNYDERS, G. Escola, classe e luta de classes. Lisboa: Moraes, 1977.

WEFFORT, M. F. Observação, registro, reflexão: instrumentos metodológicos I. 2. ed. São Paulo: Espaço

Pedagógico, 1996.


Visualizações do PDF:

96 views


Visualizações do Resumo:

447 views

Apontamentos

  • Não há apontamentos.
-->
Tema: Mpg. Customizado por: Articloud