image/svg+xmlRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022004, 2022.e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.11361 DOCENTES DA EDUCAÇÃO BÁSICA E AS SUAS PERCEPÇÕES SOBRE GÊNERO LOS DOCENTES DE EDUCACIÓN BÁSICA Y SUS PERCEPCIONES SOBRE EL GÉNERO BASIC EDUCATION TEACHERS AND THEIR PERCEPTIONS ABOUT GENDER Igor Leite SOUSA1Vanda Mendes RIBEIRO2RESUMO: Este artigo tem como objetivo apresentar as percepções que docentes de uma escola pública do Estado de São Paulo têm sobre questões de gênero. A partir da leitura de referências na área de gênero e educação, notou-se que a sociedade possui expectativas diferentes em relação aos papeis que homens e mulheres devem manifestar, e que os sujeitos podem sofrer bullyingquando se deslocam das performances esperadas. Nesta pesquisa, utilizou-se grupo focal, a literatura sobre gênero, gênero e diversidade na escola, bem como a hermenêutica-dialética como perspectiva de interpretação dos dados. Conclui-se que a maior parte dos sujeitos concebem gênero como característica biológica, gostam de discutir sobre o assunto e que há posicionamentos ambivalentes transitando entre compreensões mais ou menos tradicionais sobre as expectativas de comportamento para homens e mulheres. Evidencia-se a presença de sujeitos que questionam a naturalização das diferenças consideradas tradicionais: as professoras mais jovens, com pós-graduação, tenderam a legitimar formas mais flexíveis de performances e a reconhecerem mais enfaticamente a importância de maior igualdade de gênero. PALAVRAS-CHAVE: Educação básica. Gênero. Docentes. RESUMEN: Este artículo tiene como objetivo discutir las percepciones que tienen los docentes de una escuela pública del Estado de São Paulo sobre la problemática de género. A partir de la lectura de referencias en el área de género y educación, se advirtió que la sociedad tiene expectativas diferentes en cuanto a los roles que deben desempeñar hombres y mujeres, y que pueden ser intimidados cuando se alejan de las actuaciones esperadas. En esta investigación se utilizó un grupo focal, la literatura sobre género y género y diversidad en la escuela, así como la dialéctica-hermenéutica como perspectiva para la interpretación de datos. Se concluyó que la mayoría de los docentes concibe el género como una característica biológica y que a los propios docentes les gusta discutir el tema. Además, existen posiciones ambivalentes que se mueven entre entendimientos más o menos tradicionales sobre las expectativas de comportamiento para hombres y mujeres. Es evidente la presencia de sujetos que cuestionan la naturalización de las diferencias consideradas tradicionales: los docentes más jóvenes, con títulos de posgrado, tendían a legitimar formas 1Secretaria Municipal de Educação (SME), São Paulo SP Brasil. Professor de Ensino Fundamental II e Médio (Inglês). Mestrado em Educação (UNICID). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4146-6483. E-mail: igorllsousa@gmail.com 2Instituto Jus, São Paulo SP Brasil. Pesquisadora sobre políticas públicas. Doutorado em Educação (FEUSP). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2275-7122. E-mail: vandaribeiro2@gmail.com
image/svg+xmlTítulo do artigoRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022004, 2022.e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.11362 de actuación más flexibles y a reconocer más enfáticamente la importancia de una mayor igualdad de género. PALABRAS-CLAVE: Educación básica. Género. Docentes. ABSTRACT: This article aims to discuss the perceptions that teachers at a public school in the State of São Paulo have about gender issues. From the reading of references in gender and education, it was noticed that society has different expectations regarding the roles that men and women should play, and that them can be bullied when they move from the expected performances. In this research, it was used a focus group, the literature on gender and gender and diversity at school, as well as dialectical hermeneutics as a perspective for data interpretation. It was concluded that most of the teachers conceive gender as a biological characteristic and that the teachers themselves like to discuss the subject. Also, that there are ambivalent positions moving between traditional understandings about behavioral expectations for men and women. The presence of subjects who question the naturalization of differences considered traditional is evident: the younger teachers, with graduate degrees, tended to legitimize more flexible forms of performance and to recognize more emphatically the importance of greater gender equality. KEYWORDS: Basic education. Gender. Teachers. Introdução A reflexão acerca de gênero e educação é fundamental para a promoção de uma escola contrária às desigualdades entre homens e mulheres, tão comumente observadas na sociedade. De acordo com Cíntia Tortato (2015), a relevância dos estudos sobre gênero e educação tem a ver com a fato de a escola colaborar com a formação de modelos específicos de alunos e de alunas, além de não dar importância às “questões ligadas à violência contra mulher, hierarquização das diferenças entre homens e mulheres, direitos humanos e diversidade” (TORTATO, 2015, p. 107). Assim, é possível argumentar que no espaço escolar existe uma predisposição para reproduzir as desigualdades fora de seus muros, visto que nele são ressaltadas as expectativas da sociedade. Nascimento (2015, p. 2) afirma que existem expectativas de comportamento que meninos e meninas “devem” manifestar: eles são educados para serem fortes, racionais e dominadores, ao passo que elas recebem estímulos para exercerem como prioridade em suas vidas as atividades domésticas e a maternidade. Nesta mesma linha, Araldi (2017) acrescenta que as escolas contemporâneas são espaços em que se preconiza a produção de corpos diferenciados segundo uma ótica de gênero, algo que autoras feministas já vinham alertando.
image/svg+xmlRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022004, 2022.e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.11363 No cenário descrito pelas autoras feministas como hegemônico, podemos, de fato, entender as instituições educacionais como dispositivos de produção de uma racionalidade instrumental, liberal e heteronormativa. Mattos e Bertol (2015) analisam como a instituição escola atua na produção de corpos normatizados, por meio de práticas como o isolamento das crianças e jovens do convívio social mais amplo, do enquadramento e vigilância constantes e da produção do gênero através de divisões dos espaços que podem ser ocupados por meninos e meninas (ARALDI, 2017, p. 177). É preciso lembrar que estas diferenças citadas se transformam em desigualdade quando analisamos quem têm mais e quem têm menos prestígio no convívio social. Ao valorizarmos a emotividade feminina e ridicularizarmos o homem que chora, estamos reforçando estereótipos que se fazem presentes na sociedade desde muito tempo. Tal atitude confere legitimidade a quem reproduz os padrões, mas exclui e traz sofrimento aos que se diferenciam. A teórica Judith Butler (2017), uma das principais referências sobre gênero, rompe com a tradição feminista ao propor que o sexo, assim como o gênero, é performativo. Isso significa pensar que o adereço biológico impele, desde o ventre materno, um conjunto de atos, expressões e práticas que são compreendidas como próprias do homem e próprias da mulher. As pessoas que ousam subverter estas normas costumam ser vítimas de violência verbal e até física, basta ver o alto número de estudantes trans que abandonam a escola devido a práticas de bullyingàs quais são submetidos e submetidas. Para Scott (1995), professora norte-americana que se situa na gama de teóricos pós-estruturalistas, assim como para Butler, a história foi contada por homens, sendo o conceito de gênero uma oportunidade de questionar a hegemonia masculina que impera na historiografia e na sociedade como um todo. Nesse sentido, a socióloga brasileira Heleieth Saffioti (1987, p. 16) corrobora Scott ao explicar que “o poder está concentrado em mãos masculinas há milênios, e [que] os homens temem perder privilégios que asseguram sua supremacia sobre as mulheres”. Ao lembrarmos que frequentar a escola é uma obrigação legal do brasileiro, cujo descumprimento pode acarretar sanções punitivas (BRASIL, 1988), é válido refletir sobre como essa instituição participa do processo de fortalecimento das desigualdades entre homens e mulheres. Pereira (2015), num artigo intitulado Configuração do ofício de aluno - meninos e meninas na escola, cujo objetivo, dentre outros, foi compreender como estudantes performam o ofício de aluno/aluna, demonstrou que é recorrente observar professoras, sobretudo as dos anos iniciais, elogiando o capricho das meninas nas atividades práticas ou a meiguice delas nas interações com as pessoas. Já no que concerne aos meninos, são comuns as advertências
image/svg+xmlTítulo do artigoRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022004, 2022.e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.11364 por estarem se movimentando em excesso e por terem menos zelo no trato com os materiais. Ou seja, viu-se que perspectiva de gênero é um importante influenciador de como ocorre o tratamento de meninos e meninas em sala de aula. Até mesmo em posturas corriqueiras, como pedir para que eles ajudem no carregamento de coisas pesadas ou para que elas colaborem na limpeza do espaço, os professores evidenciam concepções calcadas no gênero e que põem o corpo discente em situação de desigualdade. A ação-reflexão sobre questões de gênero também têm a ver com a sexualidade das pessoas e como elas se veem no mundo. E considerando que o mundo foi construído sobre a ótica opositiva entre macho e fêmea, imagina-se que transgressões não sejam muito bem-vindas. Para as pesquisadoras da área de gênero Claudia Vianna e Daniela Finco, a transgressão dos padrões socialmente aceitos costuma ser malvista e ridicularizada, resultando numa “confirmação” de que cada um tem que se adequar aos padrões tradicionais de gênero e, principalmente, ao lugar que lhe cabe na sociedade. “São preconceitos que resistem à razão e aos novos tempos, e que continuamos a considerar verdades intocáveis, nos costumes e nas regras inflexíveis” (VIANNA; FINCO, 2009, p. 281). Isto posto, eclode a urgência de fortalecer diálogos sobre gênero nos mais variados espaços, para que as pessoas tenham o direito à liberdade de ser e de agir como quiserem. Privar a sociedade do debate sobre gênero e sexualidade, conforme setores mais conservadores anseiam, contribui para que injustiças diárias sejam naturalizadas, como o menor salário pago às mulheres, a maior ajuda delas nas tarefas domésticas, a menor presença feminina nos espaços de poder, dentre outras. Vale a pena observar que, historicamente, a sociedade se estrutura de maneira a deixar o homem numa posição de maior conforto desde cedo. Senkevics (2015) pesquisou a influência da socialização familiar na trajetória de vida de meninos e meninas, e descobriu que, na infância, os meninos tendem a ter muito mais liberdade que as meninas. Eles podem brincar na rua até mais tarde e não precisam se responsabilizar pela limpeza e pela arrumação da casa. Já elas são ensinadas a chefiar o lar, e, por questões de segurança, são mais proibidas de sair, embora queiram frequentar os mesmos espaços que os meninos frequentam e brincar das mesmas brincadeiras. O pesquisador também explica que as meninas têm menos tempo de lazer porque possuem uma carga de serviço doméstico a realizar, para o qual os meninos, muitas vezes respaldados pelos pais, são isentos devido à preguiça, à falta de habilidade, ou simplesmente por não quererem ajudar. Elas também têm a responsabilidade de cuidar das irmãs e dos irmãos caçulas muito mais acentuada. Por isso que muitas preferem estar na escola e não em
image/svg+xmlRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022004, 2022.e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.11365 casa, já que na escola possuem mais liberdade para brincar e fazer outras coisas que não estejam associadas ao serviço doméstico. Os pontos levantados por Senkevics (2015) corroboram o pensamento de que vivemos numa sociedade injusta e que determina às pessoas diferentes papéis sociais dependendo do sexo biológico já a partir da infância. Nesse sentido, Vianna e Finco (2009), no artigo de nome Meninas e meninos na educação infantil, explicam que já na educação infantil existem esforços para marcar distintivamente corpos de meninos e meninas. Segundo as autoras, além de marcar corpos, marcam comportamentos, habilidades, perspectivas etc. Perante estas situações, a escola escolhida como contexto de investigação pertence ao campo público estadual e se situa na região leste da cidade de São Paulo. Trata-se de uma instituição que comportava os níveis fundamental II, ensino médio, e educação de jovens e adultos (EJA). No momento em que esta análise foi conduzida, a instituição funcionava de segunda à sexta, em três períodos, totalizando aproximadamente 1000 matrículas e 40 professores, além de uma equipe gestora composta por um coordenador pedagógico, uma diretora e uma vice, sem contar os membros da secretaria e dos serviços de alimentação e limpeza. Por conseguinte, este artigo se propõe a debater as visões dos professores acerca das compreensões sobre gênero que eclodem no espaço escolar, tendo vista como elas se aproximam, mas também se afastam, do que se selecionou como literatura. Procedimentos metodológicos Em prol de reunir as percepções dos professores, foi definido como instrumento de coleta de dados o grupo focal. Barbosa (1998) define tal estratégia como um grupo de discussão informal cujo objetivo é obter informação qualitativa em profundidade. Dessa forma, convidou-se para participar os professores que faziam ATPC (Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo) no mesmo horário em que o pesquisador, que também lecionava na instituição. Com as devidas autorizações, foram usados os vinte minutos finais de cada encontro semanal, das 10h40 ao 12h20, e que serviam para discutir assuntos de organização interna da escola. Neste período, o pesquisador fazia perguntas sobre gênero, cujas respostas dadas pelos participantes foram gravadas por meio de aplicativo de captação de áudio e depois transcritas manualmente em um programa de processamento de texto. Os professores da educação básica que participaram desta pesquisa lecionavam diversas matérias e foram identificados com nomes fictícios, compondo um grupo de 10
image/svg+xmlTítulo do artigoRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022004, 2022.e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.11366 pessoas além do pesquisador. No total, teve-se a participação de 7 professoras mulheres e 3 professores homens, contando com o pesquisador. Esses profissionais trabalhavam na instituição que sediou a pesquisa e em outras escolas, públicas e particulares. Todos tinham experiência com ensino fundamental II e ensino médio, e alguns já passaram pela modalidade EJA, estando na localidade onde a pesquisa ocorreu há pelo menos um ano. O grupo focal ocorreu por meio de uma dinâmica geral seguida por slidesque apresentavam perguntas específicas, as quais os participantes deveriam responder com sinceridade, sem se preocupar com julgamentos morais ou se suas respostas estariam certas ou erradas. O objetivo era que os professores se sentissem livres para dizer o que pensam sem medo de retaliações. Ao todo, foram três encontros semanais, com cerca de duas horas cada, para se adequar aos horários em que os participantes estavam disponíveis. Uma vez encerrada as seções de grupo focal, transcreveu-se todas as falas no programa Word, do pacote Office, e iniciou-se ali um processo de leitura atenta em prol de uma organização eficiente dos dados. Em seguimento, optou-se pela criação de categorias a posteriori, sendo que cada questão respondida pelos participantes resultou numa categoria específica, que foi analisada individualmente e depois agregada num capítulo da dissertação específico para este fim. No que diz respeito à natureza de pesquisa, selecionou-se a qualitativa, que, em concordância com Tatiana Gerhardt e Denise Silveira (2009), define-se com uma pesquisa que não se identifica com uma representatividade numérica, e sim com as ações de descrever e compreender determinado fenômeno. No que diz respeito à análise dos dados, adotou-se como perspectiva a hermenêutica-dialética (SCHLEIERMACHER, 1999), que valoriza a ideia de que a compreensão é construída na interação entre o pesquisador e o pesquisado. Tal concepção possibilitou interpretar os dados com bastante atenção ao contexto em que eles foram obtidos e às contradições por vezes expressas pelos participantes, cuja análise se apoiou em conclusões advindas de outras pesquisas já realizadas sobre o tema estudado. Visando progredir na tarefa de análise dos dados, optou-se por organizar quadros que resumissem os entendimentos dos professores sobre gênero. Estes entendimentos foram auferidos mediantes as perguntas efetuadas nos momentos de coleta de dados e também a partir da fala os professores, cuja transcrição foi minuciosamente analisada. Sendo assim, é importante ressaltar que o processo de criação das categorias listadas abaixo aconteceu antes e depois dos três encontros semanais comentados acima. Buscou-se operacionalizar a perspectiva da hermenêutica-dialética, identificando significados dos comentários dos professores participantes, relacionando-os à literatura e considerando a interpretação do
image/svg+xmlRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022004, 2022.e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.11367 pesquisador, para que fosse possível explicitar divergências imersas num determinado contexto. Quadro 1 Categorias que resumem as compreensões docentesPergunta Categoria Que entendimento demonstrou sobre gênero? Compreensões sobre gênero Enxerga característica recorrente em meninos e em meninas? A dedicação feminina Acha apropriado mudar a postura conforme o gênero dos alunos? Com eles firmeza, com elas moleza Já percebeu situação de desigualdade de gênero em sala de aula? Se já, qual? Discursos e práticas específicas permeadas pelo gênero em sala de aula Já agiu para reparar situação de desigualdade de gênero em sala de aula? Dificuldades de lidar com o gênero Diz tratar os alunos de maneira igualitária? Reciprocidade no tratamento Fonte: Elaborado pelos autores com base em Sousa (2020) Compreensões sobre gênero Esta primeira categoria gira em torno do fato de a maioria dos professores terem demonstrado compreender o termo gênero como uma característica estritamente biológica, indicando deste modo uma compreensão específica. Ou seja, usam gênero como sinônimo de sexo. Para Faria e Nobre (1997), compreender gênero como sexo estritamente biológico não é suficiente, pois o gênero corresponde a uma construção social que ocorre em corpos sexuados, e que se origina do que é dado como feminino e masculino, e dos papeis sociais executados por cada um. Nesse sentido, pode-se dizer que a sociedade atual determina funções específicas às pessoas a depender do órgão sexual que elas carregam. Estas funções são hierárquicas e geralmente colocam o homem em situação de vantagem. Apesar de hoje em dia as mulheres assumirem o papel de arrimo de família, os homens foram por décadas considerados provedores, enquanto as tarefas desempenhadas pelas mulheres assumiam caráter complementar, não muito relevante. Esse pensamento ainda