image/svg+xmlRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022011, 2022 . e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.1090 1 DESTAQUES REFLEXIVOS SOBRE POLÍTICA NO COTIDIANO: A IRONIA COMO MÉTODO DE SOBREVIVÊNCIA (E SENHA PARA QUEBRAR ENCANTAMENTOS) REFLEJOS SOBRE LA POLÍTICA EN LA VIDA COTIDIANA: LA IRONÍA COMO MÉTODO DE SUPERVIVENCIA (Y CONTRASEÑA PARA ROMPER ENCANTAMIENTOS) REFLECTIVE HIGHLIGHTS ABOUT POLITICS IN EVERYDAY LIFE: IRONY AS A METHOD OF SURVIVAL (AND AS A PASSWORD TO BREAK ENCHANTMENTS)Ana Araújo COSTA1Rosemary ROGGERO2RESUMO:Este texto objetiva destacar elementos provocativos dos 35 textos produzidos por Luiz Felipe Pondé, nessa obra que trata de temas muito amplos e (apenas aparentemente) díspares em que o autor se utilizará da ironia como método, que ele afirma ser de sobrevivência. Se sobrevivência for tomada em seu sentido mais profundo, é possível perceber que esse método contempla uma perspectiva muito reveladora, especialmente sob o argumento do autor de que o cotidiano tem ojeriza a uma política sem expectativas e utopias. Eis um destaque da abordagem que requer a leitura de todo o livro e seu competente diálogo com vários autores clássicos e contemporâneos. Em meio à complexidade do caos destes tempos, a crítica ao marketing, que a tudo fetichiza na manipulação retórica de palavras, conceitos e realidades, abre possibilidades de identificações e incômodos que permitem quebrar encantamentos. A ironia é, então, método e senha. PALAVRAS-CHAVES:Política no cotidiano. Sobrevivência. Filosofia. RESUMEN:Este texto pretende resaltar elementos provocativos de los 35 textos producidos por Luiz Felipe Pondé, en esta obra que trata temas muy amplios y (sólo aparentemente) dispares, en los que el autor utilizará la ironía como método, que afirma ser de supervivencia. Si la supervivencia se toma en su sentido más profundo, es posible darse cuenta de que este método contempla una perspectiva muy reveladora, sobre todo bajo el argumento del autor de que la vida cotidiana ha ojerizado a una política sin expectativas y utopías. Este es un punto culminante del enfoque que requiere la lectura de todo el libro y su diálogo competente con varios autores clásicos y contemporáneos. En medio de la complejidad del caos de estos tiempos, la crítica al marketing, que a todo fetichiza en la manipulación retórica de palabras, conceptos y realidades, abre posibilidades de 1Universidade Nove de Julho (UNINOVE), São Paulo SP Brasil. Aluna egressa do Programa de Pós-graduação em Educação. Doutorado em Educação (UNINOVE). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3628-8256. E-mail: anisbanis@gmail.com 2Universidade Nove de Julho (UNINOVE), São Paulo SP Brasil. Docente no Programa de Pós-graduação em Educação e no Programa de Pós-graduação em Gestão e Práticas Educacionais. Doutorado em Educação (PUC/SP). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3084-4979. E-mail: roseroggero@uol.com.br
image/svg+xmlTítulo do artigoRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022011, 2022 . e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.1090 2 identificaciones y molestias que permiten romper encantamientos. La ironía es entonces método y contraseña. PALABRAS CLAVE:La política en la vida cotidiana. Supervivencia. Filosofía.ABSTRACT: This text aims to highlight provocative elements of the 35 texts produced by Luiz Felipe Pondé, in this work that deals with very broad and (apparently) distinct themes in which the author will use irony as a method, which he claims to be of survival. If survival is taken in its deepest sense, it is possible to realize that this method contemplates a very revealing perspective, especially under the author's argument that everyday life has repulse to a policy without expectations and utopias. This is a highlight of the approach that requires reading the entire book and its competent dialogue with several classic and contemporary authors. In the midst of the complexity of the chaos of these times, the criticism of marketing, which turns everything into fetish in the rhetorical manipulation of words, concepts and realities, opens possibilities of identifications and nuisances that allow breaking enchantments. The irony is then method and password. KEYWORDS:Politics in everyday life. Survival. Philosophy. O livro “Política no cotidiano: a ironia como método de sobrevivência”, produzido pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, é integrante da coleção Cotidiano, publicado pela editora Contexto. A metodologia utilizada é a produção de pequenos aforismas, em linguagem acessível, sem representar fragmentos ou descontinuidades. O objeto de estudo é a política do cotidiano com pminúsculo - em suas diferentes vertentes, sob as águas da ironia deslindando possíveis mentiras que estão sedimentadas nas estruturas da sociedade. Nessa perspectiva, o autor inicia o prefácio situando o(a) leitor(a) sobre o que seria uma política sem expectativas e utopias, tendo em vista que o cotidiano tem ojeriza a isto. Pondé compara a política a uma“ferida aberta”(PONDÉ, 2021, p. 9), parcialmente infeccionada, para cujo tratamento propõe que a filosofia e a ciência deveriam exercer papéis específicos, sem a pretensão de cicatrizá-la, pois o autor defende uma política como estado de constante conflito, amparado em Aristóteles. Assim, lança mão de aportes teóricos seminais e contemporâneos para referenciar os seus escritos provocativos, cujos autores são bastante plurais em suas abordagens, ainda que todos críticos da sociedade: Michel Foucault, Simon Critchley, Peter Singer, Nelson Rodrigues, Theodor Adorno, Max Horkheimer, Zygmund Bauman, Fiódor Dostoievski, Jordan Peterson, Eduardo Viveiros de Castro, Peter Sloterdijk, Friedrich Nietzsche, Yuk Hui, Frank Furedi, Jerry Muller, dentre outros.
image/svg+xmlRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022011, 2022 . e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.1090 3 Dessa forma, as provocações possibilitam a compreensão do caleidoscópio que se apresenta em diversas nuances da política no cotidiano, de maneira panorâmica, com uma trama de idas e vindas e múltiplas interrelações. Temas como poder, marketing, métrica, estupidez, sexualidade, animais, mundo corporativo, guerras culturais, sagrado, medo, depressão, solidão, violência, democracia, ignorância racional, felicidade e sucesso, morte como impasse ético, edição de genes, niilismo, conservadorismo e progressismo, universidade, narrativa, imperfeição, paranoia, produtividade como mindset, epistemologia, ciência, redes sociais, educação, arte e cultura, fetiche do jovem tolerante, quietismo chinês e sistema triste, são abordados no desenvolvimento dos trinta e cinco textos da obra. A seguir, destacamos alguns capítulos representativos, sem, contudo, diminuir a relevância dos demais, para fomentar a leitura. Em primeira instância, no capítulo “O marketing como política do cotidiano”,Pondé chama a atenção para a exposição exacerbada a que o cidadão comum ou político profissional tem se submetido, na contemporaneidade. O autor menciona sobre o conceito de razão instrumental engendrado por Adorno e Horkheimer, frankfurtianos da primeira geração da Escola de Frankfurt, e, ironicamente, afirma que estes ficariam envergonhados perante a instrumentalização das pessoas diante do marketingda própria vida. Relata que sombras, segredos e mentiras são imprescindíveis ao cotidiano para que se mantenha minimamente salutar, todavia, em nome de uma “vigilância líquida”conceito cunhado por Bauman- todos se veem e querem ser vistos. Este imperativo de visibilidade proporcionará grande lucro para o setor psicofármaco e cobrará a conta da existência humana. Em “Métricas como política da vida”, o autor critica o que ironiza como a tirania das métricas, conceito utilizado pelo historiador americano Jerry Z. Muller, para trazer à tona a política da medição em vários âmbitos do cotidiano, tanto no mundo profissional, como no acadêmico e no privado. Analisa a métrica como uma patologia incrustrada nos modos de vida, em que as pessoas precisam seguir determinados padrões, bater cotas e metas, para serem felizes e atingir o sucesso, sem perspectivas de mudança. No capítulo “Violência como política”,Pondé faz uma indagação ao(à) leitor(a): “A violência pode ser uma ferramenta legítima em política?”. (PONDÉ, 2021, p. 54). Afirma que, considerando as circunstâncias políticas vigentes na ocasião, esta resposta pode ser positiva e prossegue com sua validade. E esclarece por quê. Mesmo que por murmúrios, sem a declaração pública de identificação pelos fins letais, a quantidade de defensores é considerável.
image/svg+xmlTítulo do artigoRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022011, 2022 . e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.1090 4 “Políticas da felicidade e do sucesso”argumenta que “[...] a felicidade se faz política quando é nossa obrigação ser feliz para conseguir existir”.(PONDÉ, 2021, p. 62). Esta política se coloca como imperativa sobre diferentes aspectos do cotidiano, levando as pessoas a acreditarem que a felicidade deve ser demonstrada a todo momento, a todo custo, com risco de perda de relacionamentos afetivos, empregos e sociabilidade. Não há espaço para a tristeza e para o fracasso. E, por isso mesmo, a depressão e o pânico se fazem presentes de forma tão acintosa na realidade contemporânea. No capítulo “A política no cotidiano da universidade”,o autor joga luz sobre a dinâmica de animosidade que ocorre no interior dessa instituição. Com vistas às metas a serem cumpridas e às produções a serem publicadas, há um entrave entre os envolvidos como um jogo de vaidade, em que o que está em voga é a sobrevivência política interna e a homogeneização do pensamento como poder. Até o estudante torna-se secundário nessa lógica. Nessa esteira de entendimento, em “Política da produtividade como mindseto autor trata sobre a vida contemporânea que converge para a produtividade tanto no âmbito acadêmico quanto no profissional. Nessa toada, todos devem lançar mão da criatividade na máxima potência e se enquadrar às métricas padronizadas. Pondé menciona Adorno que já teria identificado que a política da produtividade, na modernidade burguesa, é um beco sem saída e está a serviço da lógica de mercado. No capítulo 31, “Política na Educação”,o autor afirma que há grandes competições por cargos mais bem remunerados na hierarquia e com garantias corporativistas e põe em xeque a crença de que o estudante seja a atividade fim de uma escola. Assevera, ainda, que, na escola privada, o professor é apêndice da lógica de mercado, representando um facilitador de sua teia nociva. No“Quietismo do cotidiano político chinês”,o autor evidencia um comportamento recorrente na China, em que boa parcela da população não demonstra interesse pela política, que se apresenta como assunto para profissionais e expressa o temor deste modelo se sobrepor ao ocidental. Essas são algumas das provocações delineadas nessa obra. Trata-se de uma linguagem aberta, ainda que provocativa pela fina ironia, que leva o(a) leitor(a) a viajar pelos temas tratados de maneira fluida, abrindo um leque de identificações e de incômodos, para pensar sobre a política e suas expressões no cotidiano, sem indicar saídas, expectativas ou utopias, conforme anunciado no prefácio da obra, mas tira seus leitores do encantamento: “[...] o que
image/svg+xmlRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022011, 2022 . e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.1090 5 está sempre em jogo é a tristeza de nunca se findar o conflito humano”(PONDÉ, 2021, p. 102), sobretudo no cotidiano. REFERÊNCIAS PONDÉ, L. F. Política no cotidiano: A ironia como método de sobrevivência. São Paulo: Contexto, 2021. Como referenciar este artigo COSTA, A. A.; ROGGERO, R. Destaques reflexivos sobre política no cotidiano: A ironia como método de sobrevivência (e senha para quebrar encantamentos). Revista @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 0, e022011, 2022. e-ISSN: 1982-8632. DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.1090 Submetido em:06/11/2021 Revisões requeridas: 01/04/2022 Aprovado em: 12/05/2022 Publicado em: 01/06/2022 Processamento e editoração: Editora Ibero-Americana de Educação.Revisão, formatação, normalização e tradução
image/svg+xmlRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022011, 2022 . e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.1090 1 REFLECTIVE HIGHLIGHTS ABOUT POLITICS IN EVERYDAY LIFE: IRONY AS A METHOD OF SURVIVAL (AND AS A PASSWORD TO BREAK ENCHANTMENTS) DESTAQUES REFLEXIVOS SOBRE POLÍTICA NO COTIDIANO: A IRONIA COMO MÉTODO DE SOBREVIVÊNCIA (E SENHA PARA QUEBRAR ENCANTAMENTOS) REFLEJOS SOBRE LA POLÍTICA EN LA VIDA COTIDIANA: LA IRONÍA COMO MÉTODO DE SUPERVIVENCIA (Y CONTRASEÑA PARA ROMPER ENCANTAMIENTOS) Ana Araújo COSTA1Rosemary ROGGERO2ABSTRACT: This text aims to highlight provocative elements of the 35 texts produced by Luiz Felipe Pondé, in this work that deals with very broad and (apparently) distinct themes in which the author will use irony as a method, which he claims to be of survival. If survival is taken in its deepest sense, it is possible to realize that this method contemplates a very revealing perspective, especially under the author's argument that everyday life has repulse to a policy without expectations and utopias. This is a highlight of the approach that requires reading the entire book and its competent dialogue with several classic and contemporary authors. In the midst of the complexity of the chaos of these times, the criticism of marketing, which turns everything into fetish in the rhetorical manipulation of words, concepts and realities, opens possibilities of identifications and nuisances that allow breaking enchantments. The irony is then method and password. KEYWORDS:Politics in everyday life. Survival. Philosophy. RESUMO:Este texto objetiva destacar elementos provocativos dos 35 textos produzidos por Luiz Felipe Pondé, nessa obra que trata de temas muito amplos e (apenas aparentemente) díspares em que o autor se utilizará da ironia como método, que ele afirma ser de sobrevivência. Se sobrevivência for tomada em seu sentido mais profundo, é possível perceber que esse método contempla uma perspectiva muito reveladora, especialmente sob o argumento do autor de que o cotidiano tem ojeriza a uma política sem expectativas e utopias. Eis um destaque da abordagem que requer a leitura de todo o livro e seu competente diálogo com vários autores clássicos e contemporâneos. Em meio à complexidade do caos destes tempos, a crítica ao marketing, que a tudo fetichiza na manipulação retórica de palavras, 1Nove de Julho University (UNINOVE), São Paulo SP Brazil. Student at the Graduate Program in Education. PhD in Education (UNINOVE). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3628-8256. E-mail: anisbanis@gmail.com 2Nove de Julho University (UNINOVE), São Paulo SP Brazil. Professor at Post-Graduate Program in Education and at the Post-Graduate Program in Management and Educational Practices. PhD in Education (PUC/SP). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3084-4979. E-mail: roseroggero@uol.com.br
image/svg+xmlTítulo do artigoRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022011, 2022 . e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.1090 2 conceitos e realidades, abre possibilidades de identificações e incômodos que permitem quebrar encantamentos. A ironia é, então, método e senha. PALAVRAS-CHAVES:Política no cotidiano. Sobrevivência. Filosofia. RESUMEN:Este texto pretende resaltar elementos provocativos de los 35 textos producidos por Luiz Felipe Pondé, en esta obra que trata temas muy amplios y (sólo aparentemente) dispares, en los que el autor utilizará la ironía como método, que afirma ser de supervivencia. Si la supervivencia se toma en su sentido más profundo, es posible darse cuenta de que este método contempla una perspectiva muy reveladora, sobre todo bajo el argumento del autor de que la vida cotidiana ha ojerizado a una política sin expectativas y utopías. Este es un punto culminante del enfoque que requiere la lectura de todo el libro y su diálogo competente con varios autores clásicos y contemporáneos. En medio de la complejidad del caos de estos tiempos, la crítica al marketing, que a todo fetichiza en la manipulación retórica de palabras, conceptos y realidades, abre posibilidades de identificaciones y molestias que permiten romper encantamientos. La ironía es entonces método y contraseña. PALABRAS CLAVE:La política en la vida cotidiana. Supervivencia. Filosofía.The book "Politics in everyday life: irony as a method of survival", produced by the philosopher Luiz Felipe Pondé, is part of the collection Cotidiano, published by Contexto. The methodology used is the production of small aphorisms, in accessible language, without representing fragments or discontinuities. The object of study is the politics of everyday life - with tiny p- in its different strands, under the waters of irony - showing possible lies that are sedimented in the structures of society. In this perspective, the author begins the preface by situating the reader about what would be a policy without expectations and utopias, considering that daily life has ojeriza to this. Pondé likes the policy to an "open wound" (PONDÉ, 2021, p. 9, our translation), partially infected, for whose treatment proposes that philosophy and science should play specific roles, without the intention of healing it, because the author advocates a policy as a state of constant conflict, based on Aristotle. Thus, he uses seminal and contemporary theoretical contributions to refer his provocative writings, whose authors are quite plural in their approaches, althoughall the critics of society: Michel Foucault, Simon Critchley, Peter Singer, Nelson Rodrigues, Theodor Adorno, Max Horkheimer, Zygmund Bauman, Fiódor Dostoievski, Jordan Peterson, Eduardo Viveiros de Castro, Peter Sloterdijk, Friedrich Nietzsche, Yuk Hui, Frank Furedi, Jerry Muller, among others.
image/svg+xmlRev. @mbienteeducação, São Paulo, v. 15, n. 00, e022011, 2022 . e-ISSN: 1982-8632 DOI: https://doi.org/10.26843/ae.v15i00.1090 3